Reflexões sobre Escalada Esportiva

Arquivo para julho, 2012

Speed Lead World Cup?

Este ano, as regras da Copa do Mundo de Dificuldade foram alteradas, destacando-se, em especial, o fim da contagem por agarra tocada (-), só restando a dominada e progredida (+), e o tempo como critério de desempate na final, caso os escaladores tenham tido a mesma campanha na qualificatória e semifinal. Com relação à exclusão do (-), sou totalmente contra, uma vez que era mais um critério de desempate, mas parece que não houve maiores discussões. Já no que diz respeito ao tempo como desempate, parece que muitos ficaram descontentes, reclamando que a escalada de dificuldade estaria se tornando speed lead climbing.

Hoje, assisti às semifinais e finais da etapa de Briançon (FRA), apesar do tempo perfeito para escalar que fez aqui no Rio, pois meu dedo está uma salsicha! Na semifinal, ambas as vias não tiveram top, sendo que no feminino, quatro escaladoras cairam pendulando com a última agarra na mão – Charlotte Durif (FRA), Katharina Posch (AUT), Helene Janicot (FRA) e Johanna Ernst (AUT)! No masculino, a via estava bem hard e só o Ramon Julian (ESP) foi bem, ultrapassando em acho que 8 agarras o segundo colocado Sachi Amma (JPN).

Na final feminina, o desempenho da escaladora japonesa Yuka Kobayachi, classificada na 8ª colocação, que pontuou 58+ das 60 agarras da via, já mostrava que esta, graduada em 8b fr (10b br), talvez estivesse fácil para o nível das competidoras. A linha da via era alucinante, apesar da simplicidade da parede, mas estava fácil mesmo. Em seguida, a queridinha da América Sasha DiGiulian caiu indo para a última agarra!

Com facilidade, a japonesa Mamoka Oda e a eslovena Mina Markovic, ambas no pódio na primeira etapa, encadenaram a via, o que, por as duas apresentarem os mesmos resultados na qualificatória e semifinal, levou ao desempate pelo tempo gasto para a cadena. Então, Mina Markovic, que escalou mais rápido, garantia o primeiro lugar temporário. Entretanto, ainda faltava que as quatro escaladoras com melhor desempenho na semifinal escalassem.

A primeira delas foi a Charlotte Durif que, para a alegria da torcida local, fez top, faltando cerca de 30 segundos para acabar o tempo limite de 8 minutos para escalar a via. Em seguida, a austríaca Katharina Posch, por um erro de leitura, se atrapalhou e caiu abaixo das outras competidoras, ficando na 8ª colocação e garantindo à Charlotte um lugar no pódio!

Era a vez de Helene Janicot tentar a via. Sobre seu desempenho ao longo da linha, quem, assim como eu, estava assistindo pela internet não poderá contar, pois o câmera resolveu nos presentear com a imagem abaixo:

Mas conseguiram consertar em tempo de mostrar a francesa no final da via, a qual encadenou em menos de 6 minutos.

Faltava apenas Johanna Ernst escalar. Na semifinal, confesso que fiquei nervosa ao vê-la durante a via, pois parecia que iria cair em qualquer momento e repetir o desempenho da etapa anterior, ficando fora da final. Mas a austríaca conseguiu progredir com movs diferentes e quase mandou a via. Na final, ela estava sólida até o ponto que derrubou sua compratriota. Parece que as duas leram de forma errada o movimento, mas Johanna conseguiu acertá-lo e fez o 5º top da via.

Já que tanto Johanna quanto Helene encadenaram as duas vias da qualificatória e caíram na última agarra da via da semifinal, foi utilizado o tempo gasto como critério de desempate, conforme comentado acima. Em primeiro momento, pode até parecer injusto já que as duas obtiveram os mesmos resultados nas vias da competição, entretanto me parece inegável que a francesa foi mais eficiente, além de este critério já ser previamente sabido por todos os competidores. A própria Johanna, muito simpática em sua entrevista, não pareceu nem um pouco desapontada com o 2º lugar, comentando que estava muito bombada e não achou que mandaria a via.

Quem demonstrou profundo descontentamento foi Mina Markovic. Em sua entrevista, falou que a via da final estava mais fácil que as vias da qualificatória e semifinal e que se 5 escaladoras fizeram top da via, os route setters erraram na mão. Eu concordo completamente com ela. Não acho nenhum problema que o tempo seja critério de desempate, acredito ser melhor do que competidores dividindo uma mesma colocação no pódio, mas o que estraga o show é ter vários escaladores mandando a via da final ou caindo na mesma posição.

Sem tantas polêmicas, a final masculina foi marcada pela queda precoce de Ramon Julian. São poucos os casos que sua baixa estatura atrapalha seu desempenho, mas Ramonet não conseguiu fazer um mov “injusto”, nas palavras do austríaco Jakob Schubert, ficando na 7ª posição após ter se classificado para a final em primeiro.

O ouro ficou novamente com o japonês Sachi Ama, seguido pelo canadense Sean McColl e Schubert, que, aparentemente com frio, parou muito tempo ainda no começo da via para balançar o braço e teve que parar de escalar após ultrapassar os 8 minutos.

O resultado geral pode ser visto aqui e aqui.


Vídeo do Campeonato Mundial

Há menos de dois meses do Campeonato Mundial, que será realizado em Paris (FRA) entre 12 e 16 de setembro, olhem que vídeo incrível sobre o evento!

O vídeo conta com famosos escaladores franceses: Melissa Le Nevé (boulder), Esther Bruckner (velocidade), Philippe Ribière (paraclimbing) et Manu Romain (dificuldade), e deixa quem o assiste com uma imensa vontade de ir a Paris assistir ao campeonato. Pelo menos eu fiquei com muita, mas muita vontade!

Dentre os brasileiro, estão confirmados os atletas Thais Makino (boulder), Janine Cardoso (dificuldade), Pedro Nicoloso (boulder) e Raphael Nishimura (paraclimbing), segundo informações do blog da própria Janine. Ficarei aqui na torcida!

Fato curioso é que comecei a acompanhar os campeonatos da IFSC justamente a partir do Campeonato Mundial do ano passado, que ocorreu em Arco (ITA), e o mov que a austríaca Angela Eiter fez para passar do crux da via da final me motivou de maneira inexplicável! Não optando pelo bote, modo pelo qual todas as outras finalistas tentaram sem sucesso passar pelo crux, Angela Eiter lançou seus pés antes e depois as mãos, mas não conseguiu na primeira tentativa, teve que voltar e descansar, quando lembro da Lynn Hill comentando que ela estava fazendo besteira! Aos que não assistiram, não lembram, ou querem apenas assistir novamente essa aula de escalada, vejam o vídeo abaixo!


“Montanhistas” / Resultado da 1ª Etapa da Copa do Mundo de Dificuldade

Com imensa alegria informo que hoje, às 21hrs no Canal OFF (SkyHDTV canal 38-1 e NET canal 527), estreia o programa “Montanhistas“,  cujo assunto será  escalada, highlines e base jumps!

O programa, apresentado por Hugo Langel e Bernardo “Biê” Rubim, será um meio muito importante para a divulgação da escalada e estou ansiosa para assistir ao primeiro episódio, que será sobre o Totem, escalada localizada na Urca, Rio de Janeiro. Vamos todos assistir e dar ibope à escalada nacional!

Assim como ocorre com o elenco das novelas na exibição do último capítulo, vou assistir à estreia reunida com amigos escaladores na comemoração de um mês de existência do muro de escalada Evolução!

Confiram o vídeo do primeiro episódio no link Montanhistas Episódio 1 – Totem.

Mudando para o assunto Copa do Mundo de Dificuldade, fiquei devendo o resultado da 1ª etapa, realizada na última semana em Chamonix (FRA).

No feminino, a vitória ficou com a atual campeã do circuito, a eslovena Mina Markovic, uma das minhas apostas, seguida pela sul coreana Jain Kim, outra aposta minha, e pela jovem japonesa Mamoka Oda. Na via da final, não houve top entre as mulheres e Markovic e Kim cairam na mesma agarra (47+)! Mas foi considerado o resultado da semifinal para o desempate e a eslovena se consagrou campeã da etapa. Minha surpresa foi a ausência da austríaca Johanna Ersnt na final, que só pôde contar com uma representante da poderosa Áustria, a Magdalena Röck (5º lugar). Sasha DiGiulian, que ainda não se acertou nos campeonatos internacionais de dificuldade, ficou em 6º lugar.

Já no masculino, a surpresa foi a eliminação do atual campeão Jakob Schubert na semifinal. Schubert utilizou, acredito que sem querer, a chapeleda de uma das costuras como agarra de pé e sua pontuação na via foi contada até aquele momento, não sendo suficiente para passar à final. Com seu principal competidor fora da final, Ramon Julian teria o caminho livre para vencer, entretanto o japonês Sachi Amma, 3º colocado no circuito de 2012, progrediu uma agarra a mais que o espanhol e foi o campeão da etapa. O pódio foi completado pelo canadense Sean McColl, o único a completar a via da semifinal, que também obteve ótimos resultados nas etapas da Copa do Mundo de Boulder deste ano, fazendo pódio em algumas delas.

À quem tiver vontade e tempo, segue o vídeo das finais da etapa de Chamonix:

 

A segunda etapa será em Briaçon (FRA) nesta sexta-feira, transmitida ao vivo pelo site ifsc.tv. Ainda não tem horário marcado para a transmissão, mas pelo fuso horário será de manhã. Eu, com certeza, assistirei! Ainda mais porque estou proibida de escalar nas próximas, espero que poucas, semanas devido à uma lesão no dedo, então tenho que viver escalada de alguma maneira. Essa lesão também atrapalhou meu calendário de treino e viagens, mas o dedo já estava inchado e me incomodando há umas 3 semanas, então a pausa será necessária para impedir maiores complicações no futuro.


Final de semana incrível na escalada carioca!

Com o tempo nublado e o clima ameno, o Exú Cadena com certeza estava na cidade do Rio de Janeiro neste final de semana. Sábado fui ao Platô da Lagoa com o objetivo de entrar na variante Diabo no Trem (9a), que, como já havia explicado aqui, é o início da via Diabo Verde (8c), com o final da via Trem Fantasma (8b). Meus companheiros de climb foram Raphael Gibara (ahh, sério? Que novidade!), Luana Riscado, Glauce Ibraim, Rafael “Chocolate” Rebello e dois franceses, Romain Brun e Jerome Petit, que conhecemos na quinta-feira, durante um treininho no Evolução.

Exú Cadena, entidade frequentemente encontrada nas falésias do Rio de Janeiro, proporcionando momentos de alegria aos escaladores que as frequentam.

Entrei na Trem para equipá-la e desci equipando a Diabo, quando aproveitei para relembrar os primeiros movimentos da via. Em seguida, fiquei na função da seg. A primeira das muitas cadenas do final de semana ficou por conta da Glauce, que se não me engano, no segundo pega, encadenou a Três Porquinhos (7a), uma via muito legal de regletinhos.

Pronto, a porteira das cadenas estava aberta. Engraçado que se pensar bem, isso não quer dizer absolutamente nada. Só porque alguém já mandou uma via ou boulder, não significa que teremos cadenas o dia todo. Entretanto, sábado as cadenas realmente estavam liberadas no Platô.

Mas não seria tão fácil assim! Em seu primeiro pega do dia, a Luana caiu indo para a última agarra da Diabo, acontecendo o mesmo com o Gibara em seu segundo pega na Trem. Em seguida, eu entrei na Diabo no Trem e com o prévio conhecimento das duas vias, a cadena saiu no primeiro pega! Não soube de muitas cadenas desta via, então provável que tenha sido FFA. Iiiiiiiu, a listinha dos nonos está crescendo!

Foi a vez da Lulu entrar de novo na Diabo e para o desespero geral, quando todos já estavam comemorando, ela caiu com a última agarra da via em mãos. No terceiro pega, o Gibas se emocionou e caiu novamente indo para a última agarra de seu projeto.

Entretanto, felizmente, nos pegas seguintes, os dois, muito sólidos, mandaram as vias e fomos comemorar em um tradicional bar na zona norte do Rio, chamado Aconchego Carioca. Lá comemos muito e bebemos o suficiente para continuarmos no bar da frente e depois na Lapa. A comemoração foi forte o suficiente para impedir que eu escalasse no domingo, mas tudo bem porque o sábado tinha sido incrível!

Quando o domingo parecia tranquilo, recebo a notícia de que a Camilla Porto e Daniel Lustoza tinham mandado seus primeiros V9 e V11, respectivamente os boulders Mau Olhado (V9) e  Esquisito (V11), ambos situados no bloco do tradicional Macumba (V11), na Urca. Parabéns ao Focasal!

Então, fui obrigada a comemorar novamente as cadenas do fim de semana, desta vez com toda a Equipe Foca no Climb e novamente Glauce e Luana, que, admiro muito, conseguiram escalar na Urca no fim da tarde.

Destaco ainda que sábado ocorreu a inauguração do novo Centro de Escalada JPA, localizado na zona oeste do Rio de Janeiro. Não fui ao evento, mas soube que foi um sucesso! Parabéns ao casal Flávia dos Anjos e Felipe Dallorto por ajudarem ao progresso da escalada carioca com mais este centro de treinamento!


“A escalada só é verdadeira quando compartilhada” Entrevista com Miguel “Esteban” Osorio

No sábado, dia 30 de junho, quando eu estava no aeroporto de Confins após minha maravilhosa estadia no Cipó, recebo a seguinte mensagem: “Cadena no projeto, Bibiiii! Kmonnnn!” Isso mesmo, o projeto do forte escalador carioca Miguel Osorio, conhecido por todos como Esteban, tinha sido encadenado naquela manhã. O projeto consistia no SDS (sit down start) do clássico boulder Olhos de Fogo (V9), localizado na Reserva do Grajaú, Rio de Janeiro. Esteban, membro da equipe Foca no Climb, visualizou e fez a primeira ascensão do boulder, o qual acredita ser um V12.

Esteban dando um talento nas agarras do boulder Olhos de Fogo SDS (V12). Arquivo Foca no Climb.

Abaixo, nossa conversa sobre o feito.

Bianca Castro: “Primeiro, parabéns pela cadena, Esteban! Conte um pouco sobre o boulder.”

Miguel Osorio: “Já tinha mandado o Olhos de Fogo original no início deste ano, mas o Rodrigo ainda estava malhando, então entrei com ele algumas vezes pra passar a vibe. Numa dessas eu resolvi dar uma olhada na possível saída mais baixa. A primeira agarra é boa e óbvia, mas as intermediárias são osso!

No primeiro dia consegui isolar quase todos os movs – faltaram dois – de uma sequência proposta em conjunto com os outros Foca-frenéticos presentes. A partir daí, fiquei bastante empolgado com a possibilidade de realmente linkar a parte de baixo com a linha original.”

BC: “O que te motivou a entrar no projeto?”

MO: “Além dos motivos mais óbvios, como a qualidade da movimentação, e o desafio de um projeto – você só sabe que é possível depois de ter mandado -, fiquei muito pilhado com a chance de contribuir com uma linha nova para o Graja, lugar que ajudou muito na minha evolução, além de ter proporcionado momentos incríveis de convivência boulderística! Ainda mais tratando-se da extensão de uma linha totalmente clássica.”

BC: “Quanto tempo durou a empreitada?”

MO: “O primeiro dia no projeto foi o dia 5 de Maio deste ano, mas como todos na equipe também tinham projetos pessoais – alternamos entre vários outros picos ao longo de dois meses -, não trabalhei direto na linha. No total, devo ter investido uns 7 dias durante fins de semana espalhados entre o início de Maio e o final de Junho, quando finalmente consegui mandar.”

BC: “Você fez algum treinamento específico para o Olhos de Fogo SDS?”

MO: “A movimentação exige muita blocada e tensão corporal, e como já costumo malhar isso normalmente, não diria que treinei especificamente para este projeto. Mas volta e meia eu estendia um pouco o treino com umas séries extras no finger, só pra garantir!”

BC: “Com o Olhos de Fogo SDS no caderninho, quais são seus próximos projetos?”

MO: “Tenho algumas pendências espalhadas pelas redondezas. Aqui no Rio, gostaria de voltar no La Ola, em Niterói – cheguei a resolver toda a parte de baixo a um bom tempo atrás, mas perdi o foco e o domínio ficou faltando. Em São Bento sempre tem muita coisa, mas o último problema que me cativou foi o Criatura, no setor do Aranha – a movimentação é alucinante e os lances são hard! E recentemente em Ubatuba reacendi a vontade de mandar o Jericó – neste último Ubatuboulder acabei vestindo a camisa do anti-social e fiquei isolado o sábado inteiro só nele, com tudo certo menos o bote! Estou convencido que meu crux nessa linha é achar os melhores pés para o lance.”

BC: “Podemos trocar a camisa de anti-social pela camisa de mais focado do Ubatuboulder 2012! Parabéns novamente pelo FA e tenho certeza que em breve noticiarei novas cadenas suas neste blog!”

MO: “Gostaria de agradecer a oportunidade de falar um pouco sobre o projeto, e também parabenizá-la pelo novo blog e suas cadenas recentes! Afinal de contas, Bibi é master! Kmonnnnn!”

A cadena pôde contar, inclusive, com um vídeo produzido pelo Foca no Climb, que ficou, como o próprio Esteban fala, IN |o| CRÍVEL, maluco!


Copa do Mundo de Dificuldade

Hoje começou a Copa do Mundo de Dificuldade! A primeira etapa está acontecendo em Chamonix (FRA), tradicional cidade francesa, e as qualificatórias ocorreram hoje mais cedo. Consegui assistir ao finalzinho, vendo a americana Sasha DiGiulian encadenar a segunda via da qualificatória e a eslovena Maja Vidmar, terceiro lugar no ranking de dificuldade de 2011, cair faltando apenas três agarras para o top. Acho que ela não passará pra a semifinal, pois tiveram vários tops no feminino e ela também não encadenou a outra via da qualificatória, o que é uma pena, gosto muito da escalada dela.

Tem um vídeo da Maja Vidmar que eu adoro, segue o link: 

Mas voltando à Copa do Mundo, este ano, além da etapa de Chamonix, serão realizadas etapas nas cidades Briançon (FRA), Irmst (AUT), Puurs (BEL), Atlanta (USA), Xining (CHN),  Mokpo (KOR), Inzai (JPN) e Kranj (SLO).

Acredito que a disputa no feminino nesta primeira etapa ficará entre a campeã de dificuldade do ano passado, a também eslovena, Mina Marcovic, a coreana Jain Kim, segundo lugar em 2011, a austríaca Johanna Ersnt, campeã da última etapa do ano passado, e a americana Sasha DiGiulian, que vem mostrando sua força na escalada em rocha com a cadena de dois 9a fr (11c br) no último ano. Já no masculino, acho que a disputa será entre o espanhol Ramon Julian e o austríaco Jacob Schubert, que se não me engano ganhou todas as etapas da Copa do Mundo de Dificuldade de 2011! Eu admiro o Ramon Julian desde que era pequena, então torcerei para ele.

Além da Copa do Mundo, dois outros tradicionais eventos estão por acontecer, o Campeonato Mundial, em Paris (FRA), e o Rockmaster, em Arco (ITA). Nestes eventos, ocorrerão competições tanto de dificuldade, quanto de boulder e velocidade.

Quem quiser, assim como eu, acompanhar as semifinais e finais, o site http://www.ifsc.tv transmitirá ao vivo, amanhã a partir das 9:00, horário de Brasília.


Estreia + Cipó + UBT 2012!

A ideia de fazer um blog finalmente saiu dos pensamentos e virou realidade. Gosto tanto de escalada  – não apenas escalar, mas saber sobre escalada, picos, viagens, cadenas, treinamento, etc. – que decidi criar este espaço para falar sobre este esporte maravilhoso e talvez sobre outras coisas, menos importantes que escalada, claro.

No último mês, pude escalar bastante em rocha, quando passei quase duas semanas na Serra do Cipó e fui para o Ubatuboulder 2012.

No Cipó, meu projeto era encadenar a primeira parte da clássica via Heróis da Resistência (9a). Felizmente, mandei no segundo dia, após acatar o beta da Rafaela Discaciati no final da via, onde eu já caía há uns 7 pegas.

Heróis da Resistência – Primeira Parte (9a), Grupo 3, Serra do Cipó, MG. Foto: Ricardo “Magrão”.

Pensei até em tentar a via toda, mas me sentia bem fraca na resistência e queria provar outras vias. Em seguida, também com um novo beta, encadenei a Escamoso (8c), uma via bem negativa na parte de cima da Sala da Justiça, que também tinha ficado pendente da minha última visita ao Cipó, em abril desse ano.

As pendências tinham sido eliminadas, então fui em busca de novos projetos. Entrei durante um dia na Inquilinos (9a), mas a achei bem hard e não consegui nem isolar a saída da bruxa, então ela ficou para a próxima visita. O novo projeto seria a Sequelados (9a), via relativamente nova, que conectada com a Linha da Vida (10a), forma a Projeto de Vida (10c). Devidamente equipada pelo Octavio Bernardes, dei o primeiro pega com, assumo, bastante medinho e poucas expectativas, pois os movs pareciam bem esticados. Mas no segundo dia, descobri alguns betas para short leg e fluí na via, caindo a uma agarra de terminar a parte difícil.

Fazendo força no primeiro crux da Sequelados (9a), Grupo 3, Serra do Cipó, MG. Foto: Alex Gessner.

Até a data marcada para eu voltar para o Rio, não consegui a cadena, mas diversos fatores culminaram na extensão da minha estadia por mais três dias e pude, com muita alegria, desfazer minhas mochilas.

Com outro beta salvador que o Jean Fluber me passou ao equipá-la, a via saiu dois pegas depois, com direito a costura e  tudo! Acho que tinha acostumado a fazer do jeito mais difícil e quando tentei pela maneira mais fácil, a cadena saiu sólida. Pelo que pude conversar com algumas pessoas e verificar no 8a.nu, parece que foi a primeira cadena feminina da via, o que chamamos de FFA (first female ascent)!

Concentração no segundo crux da Sequelados (9a), Grupo 3, Serra do Cipó, MG. Foto: Alex Gessner.

No último dia no Cipó, ainda pude encadenar a clássica Sonho de Consumo (8c), realizando um desejo pessoal estabelecido em 2005, quando fui pela primeira vez ao Cipó e quase não consegui me mover na via! O nome desta via é perfeito, pois a linha é maravilhosa e, realmente, um sonho de consumo.

Sonho de Consumo (8c), Grupo 1, Serra do Cipó, MG. Foto: Vinicius Attuy.

Voltando ao Rio, minhas expectativas se voltaram para o Ubatuboulder 2012, comemorativo pelos 10 anos do evento! Tive a oportunidade de ir pela primeira vez ano passado e decidi não perder mais nenhuma edição.

Saí do Rio na sexta no fim da tarde, com meu parceiro de trips Raphael Gibara, o renomado diretor, produtor e câmera man da Little Up Productions, e as mascotes Bebel Rezende e Isabela Madrugada, e chegamos em Ubatuba acho que por volta de 23h. No caminho, paramos em Santa Cruz pra comer algo e o Gibara trancou a chave do carro na mala! Mas isso não foi suficiente para atrapalhar a incrível trip que seria o UBT 2012.

Ficamos em uma casa bem legal na Praia de Fortaleza, mas isso pouco importa comparando com os ilustres companheiros de casa. Só tinha escalador famoso, consegui vários autógrafos! Além de Bianca Castro, que escreve, Raphael Gibara e nossas mascotes, estavam na casa os irmãos da Família Buscapedra, Caio e Pedro Gomes, Luana Riscado, Glauce Ibraim, Lino, Garça e os bambineiros João Ricardo, Xitão e Luiza Rodrigues.

Chegando em Ubatuba, o mais sensato seria ir dormir para escalar bem no sábado, mas, obviamente, com esse grupo reunido, não foi o que ocorreu. Se lembro bem fomos dormir às 5 da manhã.

Acho que cheguei no pontão sábado por volta de 11 horas e fiquei até depois das 19 horas, não me poupando um minuto para domingo. Entrei em algumas pendências do ano anterior, como Pezinho, Pelo Sertão, Merengue e Van der Waals e em diversos boulders novos, destacando o Einstein (V7), que foi solidamente encadenado pela Lulu!

Mesmo ao escurecer, o climb não parou! A 4Climb, que sempre fortalece nos festivais e eventos de escalada, providenciou a iluminação do bloco principal do pontão, proporcionando que a galera escalasse até não ter mais força ou pele nos dedos. Ainda deu tempo da Glauce encadenar o Morceguinho (V3) antes de voltarmos pra casa.

Á noite, os escaladores viraram torcedores e assistimos a aguardada luta em que o Anderson Silva ganhou do Chael Sonnen no UFC 148, em um agradável boteco onde a Itaipava custava R$ 3,50 e a Original R$ 8,00! Ao mesmo tempo, infelizmente, começou a chover e não parou mais, então pude concordar com o infeliz apelido da cidade: Ubachuva.

A chuva atrapalhou o climb, mas não a diversão da viagem. Domingo, o Ubatubloco foi criado, já com diversas composições, e ano que vem sairemos no carnaval carioca, são bentense e UBT 2013. Informações em breve.

Segunda cedo, voltamos para o Rio já planejando a escalada e treinos desta semanas! Quero ir no Platô tentar a variação das vias Diabo Verde (8c) e Trem Fantasma (8b), chamada pelo Fluber de Diabo no Trem. Acredito ser um 9a, pois começa na Diabo e termina com o crux da Trem que é bem técnico, chatinho e irritante!

Com relação aos treinos, devo iniciar um novo ciclo, mas ainda não decidi bem qual será o foco, já que não participarei da última etapa do Campeonato Brasileiro de Boulder, pois será realizado bem no dia da minha festa de formatura. Uma pena, pois eu adorei ter participado das etapas passadas e campeonato sempre me motiva a treinar mais forte.

Espero ter agradado com este primeiro de muitos posts que virão!