Reflexões sobre Escalada Esportiva

Arquivo para dezembro, 2012

Retrospectiva 2012

O ano de 2012 começou muito bem com algumas idas a São Bento do Sapucaí (onde eu devo ter escalado mais do que no próprio Rio) e passei a dividir uma casinha lá com os amigos Raphael Gibara, João Ricardo e Arthur Gáspari (quem?), o Xitão (ah!).

Este foi  um ano de viagens. Fui duas vezes à Serra do Cipó, com certeza mais de dez vezes a São Bento, duas vezes a Ubatuba e ainda fiz minha primeira trip internacional para exclusivamente escalar, cujo destino foi a Argentina.

Além das viagens, que sempre me motivam bastante a treinar, as competições que ocorreram este ano serviram para reascender a vontade de competir, adormecida desde 2005. Participei de duas das três etapas do Campeonato Brasileiro de Boulder e do campeonato de boulder para inaugurar o muro de escalada Evolução, com quem fechei um apoio neste final de ano e tenho muito a agradecer pela ótima estrutura de treinamento. Infelizmente, não pude competir no Campeonato Brasileiro de Dificuldade, pois este foi datado no mesmo final de semana do Petzl Roctrip, mas, com certeza, no ano que vem estarei lá, é uma das resoluções de ano novo!

O meu objetivo principal do ano era escalar um 9º grau, que veio bem mais rápido que o esperado, com a cadena da via Bulls On Parade (9a), no Carnaval. Além deste, alguns outros vieram, inclusive fui presenteada no Natal com a cadena da via regleteira mor Parasita (9a), localizada no Pilar Central da Pedra da Divisa.

Bulls On Parade, Falésia dos Olhos, Paraisópolis, Minas Gerais. Foto: Marlus Oliveira.

Bulls On Parade, Falésia dos Olhos, Paraisópolis, Minas Gerais. Foto: Marlus Oliveira.

Mas o ano não foi só de alegrias e, para a minha infelicidade e insanidade, tive uma lesão no dedo que me obrigou a pegar leve e até parar de escalar por 10 semanas, justamente quando eu estava mega motivada. A lesão foi curada e acredito estar terminando o ano na minha melhor forma e maior motivação, para escalar e treinar ainda mais em 2013. Afinal, 2013 será o ano do 5.13, tendo em vista que não se deve ter medo de tentar algo que pareça ser muito difícil, pois muitas vezes você vai perceber que o difícil não é assim tão ruim.

Termino o post com o vídeo super legal e engraçado dos escaladores suíços Nina Caprez e Cédric Lachat escalando a via Silbergeier, o qual assisti ao lançamento em Piedra Parada. Feliz 2013 com muitas escaladas a todos!


Petzl RocTrip V – O Evento

A última semana foi meio corrida, com muito estudo e um pouco de escalada, então não tive tempo de terminar a sequência de posts sobre o Petzl RocTrip.

Bom, o evento em si começou na noite do dia 22 de novembro, com uma série de recomendações da organização, a apresentação dos atletas da Petzl e exibição no novo filme Silbergeier, no qual a escaladora Nina Caprez faz a primeira ascensão feminina da via Silbergeier (8b+ fr/10c br), de seis enfiadas, localizada na Suíça.

Glauce, Sebastian, Vinho Malbec, eu e Mari antes da abertura oficial do Petzl RocTrip 2012. Foto: Arquivo Mari Eloy.

Glauce, Sebastian, Vinho Malbec, eu e Mari antes da abertura oficial do Petzl RocTrip 2012. Foto: Arquivo Mari Eloy.

Um pouco antes da abertura do evento, eu, Glauce, Sebastian e Mari estávamos na fila para trocar Pesos por Piedras (moeda do evento, 5 Pesos = 1 Piedra) e conhecemos por acaso a escaladora norte americana Audrey Sniezek, que tinha acabado de ingressar para a equipe da Petzl. Foi bem legal poder conversar com alguém que, apesar de trabalhar em tempo integral, conseguiu chegar a um nível de escalada bem impressionante – pelo o que eu vi na internet, este ano ela encadenou um 11a brasileiro!

A festa de abertura foi muito boa, o que significou que o dia seguinte foi péssimo para escalar. Só dei um pega no meu projeto, a via Epifanía (7c/+ fr/ 9a/b br), e foi o pior de todos. Estava me sentindo muito mal, mas o pega serviu para macetear bem o final da via, no qual eu ainda não tinha me encaixado 100% e que me derrubou no dia anterior. Passamos o resto do dia no próprio setor Anfiteatro, onde o meu projeto se localizava.

No sábado, o plano era ir cedo para o Anfiteatro para eu tentar a cadena da Epifanía e, se não rolasse, trocar as costuras, pois a maioria era do Sebastian e ele deixaria Piedra Parada na segunda-feira de manhã. Entretanto, tivemos que esperar até às 13 horas para garantir nossos lugares no ônibus de volta a Esquel – Sebastian e Glauce voltariam na segunda-feira de manhã, para no mesmo dia retornarem ao Brasil, e eu voltaria na quarta-feira, para no dia seguinte deixar as terras Argentinas.

Durante a espera, tiramos fotos com Melissa Le Nevé e Alizée Dufraisse, que foram super simpática! Falei para elas virem escalar no Brasil e a Melissa comentou que tinha medo das cobras que tinham por aqui. Ótima visão que os gringos têm dos nossos picos de escalada!

Melissa Le Nevé, eu e Alizée Dufraisse. Foto: Sbeastian Gaus.

Melissa Le Nevé, eu e Alizée Dufraisse. Foto: Sebeastian Gaus.

A espera atrapalhou bastante o nosso cronograma, pois às 14 horas teria uma exibição dos escaladores da equipe da Petzl na Piedra Parada. Por isso, eu e Sebastian resolvemos fazer aquele um dia de descanso e fomos no setor Alero para a Glauce e a Mari entrarem nos dois 6c fr/7a br que nós tínhamos encadenado no primeiro dia.

Por volta de 15 horas o Sebastian foi para Piedra Parada e eu fiquei na seg das meninas. Depois, para aproveitar o calor e com o pensamento brasileiro de que tudo atrasa, fomos tomar banho no gélido rio que separava o camping da Piedra Parada. Só às 18 horas começamos a nos dirigir à exibição.

Mari e eu com a Piedra Parada ao Fundo. Foto: Glauce Ibraim.

Mari e eu com a Piedra Parada ao fundo. Foto: Glauce Ibraim.

Quando chegamos, a exibição já tinha quase acabado e só deu tempo de tietarmos mais um pouco, tirando foto com Dave Graham, que dispensa qualquer apresentação, e Jorg Verhoeven, campeão da etapa da Copa do Mundo de Dificuldade de Imst, Áustria, e ver a Audrey abrir a canela em uma planta seca no chão, quando ela virava para cumprimentar a Mari.

Dave Graham.

Nós e Dave Graham. Foto: Arquivo Mari Eloy.

Nós e o holandês Jorg Verhoeven.

Nós e o holandês Jorg Verhoeven. Foto: Arquivo Mari Eloy.

Eu, Marcos Costa, Audrey, Mari e Glauce, logo após a Audrey levar alguns pontos para fechar a ferida!

Eu, Marcos Costa, Audrey, Mari e Glauce, logo após a Audrey levar alguns pontos para fechar a ferida! Foto: Arquivo Mari Eloy.

Domingo era o último dia de escalada dos meus companheiros de Petzl, então resolvemos acordar bem cedo para aproveitar o dia. Mais uma vez, fui para o Anfiteatro com o Sebastian, enquanto as meninas tomavam uma café-da-manhã mais reforçado.

Depois de um dia e meio de descanso, escalei sem erros e a via Epifanía saiu no primeiro pega do dia, totalizando quatro. Fiquei bastante feliz, pois a via era diferente de qualquer outra de grau mais elevado que eu já tinha encadenado, pois o que pegava era a resistência, não tendo um crux definido. Foram 30 metros de escalada e mais de 90 movimentos para a cadena da via com grau mais elevado que até então eu mandei!

Último descanso antes da sequência final da via Epifanía (7c/+ fr/9a/b br), Anfiteatro, Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto: Glauce Ibraim.

Último descanso antes da sequência final da via Epifanía (7c/+ fr/9a/b br), Anfiteatro, Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto: Glauce Ibraim.

Limpei a via e fomos escalar no setor Circus, onde o Sebastian, a Glauce e a Mari puderam gastar o resto de energia que tinham.

Nós quatro com o setor Circus ao fundo. Foto: Arquivo Mari Eloy.

Nós quatro com o setor Circus ao fundo. Foto: Arquivo Mari Eloy.

Na volta para o camping, onde estava acontecendo um assado para comemorar o encerramento do Petzl RocTrip 2012, corremos para tirar foto com o Steve McClure, que pelo o que eu ouvi encadenou um 8b fr/10b br à vista, e com a Mayan Smith-Gobat, escalador (no geral, homens e mulheres) mais forte da Nova Zelândia.

Glauce, muito íntima da Mayan, Mayan, retribuindo a intimidade da Glauce, Steve, fazendo biquinho, Sebastian, falando alguma coisa para variar, eu e Mari. Foto: Arquivo Mari Eloy.

Glauce, muito íntima da Mayan, Mayan, retribuindo a intimidade da Glauce, Steve, fazendo biquinho, Sebastian, falando alguma coisa para variar, eu e Mari. Foto: Arquivo Mari Eloy.

Apesar da fila, o assado estava sobrenatural. Comemos e bebemos bastante no domingo, comemorando as cadenas e o sucesso do evento. Mas antes, para homenagear o amigo Caio Gomes, fizemos uma brincadeira com a Charlotte Durif, escaladora francesa que também dispensa comentários:

Caio Gomes, junto à Charlotte Durif, no Petzl RocTrip 2012. Foto: Arquivo Mari Eloy.

Caio Gomes, junto à Charlotte Durif, no Petzl RocTrip 2012. Foto: Arquivo Mari Eloy.

Segunda-feira de manhã, todos foram embora e quando eu acordei – não sei a hora, porque abandonei o relógio nessa viagem, mas era bem mais tarde que o normal – me mudei para a Copacabana do camping, ou seja, para perto da margem do rio.

Acho que por volta de 17 horas, fui com o Zé Roberto Pacheco para o canyon, onde ele quis entrar em uma venda bem alucinante. A via era em móvel e eu não animei, mas dei seg para ele, sendo castigada pelo sol e calor que finalmente tomou conta de Piedra Parada.

Zé arrumando os móveis, com o Canyon La Buitrera ao fundo. Foto: Bianca Castro.

Zé arrumando os móveis, com o Canyon La Buitrera ao fundo. Foto: Bianca Castro.

Em seguida, fomos, de novo, para o Anfiteatro, onde ele tinha deixado a Epifanía equipada. Dei dois pegas na via Los Límites de la Partner (7b fr/8b br), mas a via não saiu, então deixei minhas costuras nela para tentar a cadena no dia seguinte.

Quando voltamos para o camping, já estava noite e fomos presenteados com uma linda lua cheia!

Lua cheia em La Buitrera. Foto: Bianca Castro.

Lua cheia em La Buitrera. Foto: Bianca Castro.

Na terça-feira, dia 27 de novembro, passei o dia escalando com o Fabinho Muniz. Fomos primeiro no Anfiteatro, onde pude acrescentar a candena de mais um lindíssimo 7b fr/8b br para a minha coleção e depois fomos escalar no setor El Parlamento.

No Parlamento, mandei a via Romantic Line (7a+ fr/7c br) de segunda e entrei em um 7b+ fr/8c br muito interessante e psicológico. A via começava fácil até uma caída de ombro direito. Depois, a linha seguia para uma fenda em uma parede a 90 graus à esquerda, que deveria ser dominada, com uma costurada muito ruim, tocando mais uma costura até chegar à parada, sendo que o último mov era difícil e se o seg não estivesse ligado, havia a possibilidade de cair na quina dominada! É difícil de explicar, mas a linha era bem louca, desci da via com uma sensação bem diferente, acho que era adrenalina! Se eu tivesse mais tempo em Piedra Parada, aquela era uma via que eu queria mandar, pois além de desafiar a parte física, desafiava a parte mental também.

Para finalizar o dia e a trip, fomos para o setor Cañón de las Sombras, onde encadenei à vista a via Dia de Partusa (6c fr/7a br) e uma via sem nome, graduada em 6c+ fr/7b br, esta última de head lamp, aproveitando até o final a estadia em Piedra Parada!

Dois vídeos sobre o evento já foram liberados: o primeiro feito pela própria Petzl, um teaser do vídeo que será lançado em março do ano que vem, e o segundo feito pela Província de Chubut, onde eu e Sebastian aparecemos!


Petzl RocTrip IV – A Chegada

Dia 20 de novembro, 7 horas da manhã, estávamos Glauce, Sebastian, Zé e eu na rodoviária de Esquel conversando com um funcionário da viação indicada no site da Petzl, que nos informou que somente teria ônibus para Piedra Parada às 12 horas. Ótimo, 5 horas de espera para ir ao pico. Só que não. Na mesma situação, alguns escaladores da Colômbia encontraram um mini ônibus que, felizmente, nos levou às 9 horas ao nosso destino!

Chegamos no camping por volta de meio-dia e nos deparamos com essas lindíssimas imagens da entrada do Canyon La Buitrera e da Piedra Parada.

Entrada do Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto: Bianca Castro.

Entrada do Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto: Bianca Castro.

Piedra Parada, Chubut, Argentina. Foto: Bianca Castro.

Piedra Parada, Chubut, Argentina. Foto: Bianca Castro.

Nos registramos – o número da minha barraca foi 200, sendo que ainda faltavam dois dias para o início do evento – e ganhamos um kit, com poster, adesivo, um saquinho de magnésio do Petzl RocTrip 2012, uma camiseta e um guia do local, um dos melhores que eu já vi!

Apesar do cansaço, a vontade escalar, conhecer aquele lugar incrível era muito maior! Antes disso, armamos as barracas, nos protegendo do sol matinal, já que estava bastante quente naquele dia.

Fui com o Sebastian em direção ao canyon e decidimos entrar na primeira via a esquerda. Péssima escolha, a via estava completamente suja e o Sebastian teve diviguldade de visualizar as agarras. Um dos problemas constatados durante a estadia em Piedra Parada foi que, como as vias, em sua maioria, eram novas e pela própria formação da rocha, muitas agarras ainda estavam por quebrar, o que se mostrou fundamental o uso de capacete na base das paredes.

Decidi não entrar na via e fomos para outro setor, o Alero. Entramos em dois 6c fr/7a br lindos, cheios de buracos grandes e ambos saíram de primeira, tanto para mim, quanto para o Sebastian. Eles se chamavam Planeta Agujero e Propulsión a Chorro.

Sebastian Gaus na via Propulsión a Chorro (6c fr/7a br), Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto: Glauce Ibraim.

Sebastian Gaus na via Propulsión a Chorro (6c fr/7a br), Alero, Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto: Glauce Ibraim.

Mais tarde, a Glauce chegou, sem equipamento de escalada, para tirar umas fotos nossas e se arrependeu!

Costurada estilosa na via Propulsión a Chorro (6c fr/7a br), Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto: Glauce Ibraim.

Costurada estilosa na via Propulsión a Chorro (6c fr/7a br), Alero, Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto: Glauce Ibraim.

Como o plano era voltar outro dia no setor Alero, decidimos deixar as vias mais difíceis para depois e seguimos caminhando pelo canyon. Chegamos no setor Ojos de Buda, onde eu resolvi entrar na via Bienvenido Black Papa (7a+ fr/8a br), que tinha um começo muito legal, com uma fenda, mas o final era bem duro, com agarras mínimas! Dei dois pegas e não saiu, então decidi encerrar a escalada do dia, pensando que muitos ainda viriam com novas vias para tentar.

Ojos de Buda, Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto: Glauce Ibraim.

Bienvenido Black Papa (7a+ fr/8a br), Ojos de Buda, Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto: Glauce Ibraim.

Maravilhados com o primeiro dia de escalada, voltamos para o camping, onde a Glauce preparou nossa primeira refeição, que estava ótima, e abrimos nossa primeira garrafa de vinho.

Nosso primeiro jantar em Piedra Parada. Foto: Sebastian Gaus.

Nosso primeiro jantar em Piedra Parada. Foto: Sebastian Gaus.

À noite, que se mostrou uma constante, estava muito fria e chegou a chover um pouco na manhã seguinte, abaixando bastante a temperatura e atrasando a escalada. Pelo menos, com a chuva a terra/areia do local ficou molhada e o vento ficou mais limpo. Não havia previsão de aquecer nos próximos dias (eu perguntei para alguns locais, já que odeio escalar no frio), então a solução era se acostumar. Frio e seco, condições ideais para a prática da escalada, entretanto eu não conseguia escalar direito na sombra e estava seco demais, minha pele sofreu muito, não teve hidratante que resolveu! Com certeza foi o clima mais extremo que já senti, mas não atrapalhou o sucesso da trip.

Voltando à escalada, na quarta-feira, decidimos andar até o final do canyon para conhecê-lo por completo e escalar no setor La Calavera. Lá ventava muito! Entramos para aquecer na via El Erizo Protegido por Alambre de Puas (6b fr/6º br), que eu, pessoalmente, odiei. Agarras enormes, mas que machucavam muito!

Com o final do canyon ao fundo, Glauce Ibraim na via El Erizo Protegido por Alambre de Puas (6b fr/6º br), Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto: Bianca Castro.

Com o final do canyon ao fundo, Glauce Ibraim na via El Erizo Protegido por Alambre de Puas (6b fr/6º br), Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto: Bianca Castro.

La na Calavera, tivemos a oportunidade de assistir ao Dani Andrada (ESP), Dave Graham (USA), Mélissa Le Nevé (FRA) e Alizée Dufraisse (FRA) escalando! Foi uma aula de escalada. A Mélissa Le Nevé encadenou a via Le Merlin (7c fr/9a br ou mais, parece que quebrou uma agarra chave) à vista e a Alizée Dufraisse encadenou a mesma via de flash, ambas sem demonstrar qualquer dificuldade. Parece que no dia anterior a Mélissa Le Nevé mandou um 8b fr/10b br à vista! Dani Andrada e Dave Graham entraram em um teto impressionante que ficava um pouco antes do setor La Calavera, graduado em 8a+ fr/10a br.

Melissa Le Néve na Le Merlin (7c fr/9a br), La Calavera, Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto Bianca Castro.

Mélissa Le Nevé na Le Merlin (7c fr/9a br), La Calavera, Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto Bianca Castro.

Alizée Dufraisse na mesma via. Foto: Bianca Castro.

Alizée Dufraisse na mesma via. Foto: Bianca Castro.

Confesso que o que eu escalei no setor La Calavera não me agradou e, infelizmente, não voltei para mudar essa impressão. Com certeza tinham vias de muita qualidade, mas as duas que eu entrei eram mais ou menos. Gostaria de ter tentado a El Merlin, mas eram tantos setores e vias para conhecer que precisará ficar para a próxima vez.

Na quinta-feira, começava o aguardado Petzl RocTrip 2012! Mas antes, teria mais um dia repleto de escalada. Andamos direto para o setor Anfiteatro, o que se tornou o meu favorito! Fui antes com o Sebastian, a Glauce e Mari, que havia chegado na noite de terça-feira, foram um pouco depois. Começamos com a via Para Entibiar (6c fr/7a br), uma fenda muito legal! Gostei muito dela. Em seguida, decidimos entrar em um 7a+ fr/8a fr de 30 metros. Quando o Sebastian estava na 6ª ou 7ª costura, o Fabinho Muniz comentou que ele estava na via errada! Entramos na via errada, uma via chamada Epifanía (7c/+ fr/9a/b br). O Sebastian equipou mais umas duas costuras e desceu super feliz por ter entrado, e bem, em um 9º grau brasileiro. O Fabinho entrou para equipar o resto e mandou de primeira!

Fabinho Muniz na via Epifanía (7c/+ fr/ 9a/b br), Anfiteatro, Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto Bianca Castro.

Fabinho Muniz na via Epifanía (7c/+ fr/ 9a/b br), Anfiteatro, Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto: Bianca Castro.

Eu estava procurando um projeto de 9º grau brasileiro para a viagem (não consigo ficar sem um projetinho mais forte!), então resolvi entrar na Epifanía também. Fui bem no flash, mas caí longe do final. No segundo pega, fui impressionantemente bem e caí a duas costuras do fim, sendo que entre a penúltima e a última costura não tem como cair mais! Era descansar e tentar de novo no dia seguinte que a cadena estava próxima.

Eu na via Epifanía (7c/+ fr/ 9a/b br), Anfiteatro, Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina.

Eu na via Epifanía (7c/+ fr/ 9a/b br), Anfiteatro, Canyon La Buitrera, Chubut, Argentina. Foto: Glauce Ibraim.

A abertura do Petzl RocTrip 2012 estava marcada para 18 horas, mas como tinha luz até 21h30 e, portanto, escalada até tarde, só foi realizada às 22h. Todas as escaladas e impressões sobre o maior evento de escalada do mundo ficarão para o próximo post – resolvi desmembrar os posts para ficar menos cansativo tanto para escrever quanto para ler.

Abrindo um parêntese aos relatos do Petzl, com muita alegria, ontem eu mandei a via Mundo Cão (9a), no Platô da Lagoa, durante mais um night climb com os amigos Glauce, Luana, Sebastian, Ritchi e Angela! Via curta e grossa, quatro chapeletas apenas, da qual, no início do ano, eu tinha tomado um espanco sem precedentes! Valeu pela vibe, galera!


Petzl RocTrip III – Bariloche

As minhas aventuras pela Argentina começaram com três dias em Bariloche, local onde cheguei no dia 17 de novembro, pela manhã. No voo de Buenos Aires para Bariloche acredito que tinham uns 20 escaladores com o mesmo destino que eu, a Piedra Parada, na Província do Chubut, Patagônia.

Bariloche é uma cidade muito bonitinha, com visual bem alpino, ou melhor, andino, neste caso. Montanhas com neve permanente em seus picos e um clima bem ameno de dia, mas frio a noite.

Vista da trilha para Pared Blanca, El trebol, Bariloche, Argentina. Foto: Bianca Castro

Vista da trilha para Pared Blanca, El trebol, Bariloche, Argentina. Foto: Bianca Castro

Logo que chegamos, eu, Glauce Ibraim, Fabinho Muniz e Fabio Schreiber “Moleza” fomos encontrar um local para trocarmos nossos pesos. Saí do Brasil com dólar, o que eu recomendo demais, já que 1 dólar pode comprar até 6,15 pesos (!) e eles conseguiram trocar 1 real por 2,85 pesos, uma cotação muito boa também. Em seguida, resolvemos almoçar e eu pude experimentar o delicioso bife de chorizo!

Lá pras 18h, eu e Glauce decidimos ir conhecer Pared Blanca, possível pelo fato de escurecer somente em torno de 21h30 nesta época do ano. A escalada neste dia não rendeu nada, só deu tempo de dar um peguinha na via El Perla Negra (6a+ fr/5º? br), pois nos perdemos na trilha e só chegamos no pico às 20h30, mas pelo menos aprendemos o caminho – da pior maneira possível, subindo e descendo quatro vezes o morro onde fica Pared Blanca.

Ezequiel Garcia na via El Perla Negra (6a+ fr/ 5º? br), Pared Blanca, El Trebol, Bariloche, Argentina. Foto: Bianca Castro.

Ezequiel Garcia na via El Perla Negra (6a+ fr/ 5º? br), Pared Blanca, El Trebol, Bariloche, Argentina. Foto: Bianca Castro.

Ah, adianto que os posts sobre a viagem terão a graduação das vias pela escala francesa, sistema adotado na Argentina, mas com a devida tradução.

No segundo dia em Bariloche, combinamos de escalar com Mari Eloy, mas devido a um desencontro, só cheguei com a Glauce em Pared Blanca às 16h.

Pared Blanca, El Trebol, Bariloche, Argentina. Foto: Bianca Castro.

Pared Blanca, El Trebol, Bariloche, Argentina. Foto: Bianca Castro.

Neste dia, mandei meu primeiro 7a fr/7c br à vista, a via Las Barbas del Capitain. Uma das vantagens de viajar é a oportunidade de escalar à vista, que acredito ser bem diferente da escalada trabalhada. Isso ocorre, pelo menos no meu caso, pelo fato de eu escalar bem devagar, descansando sempre que possível, conectada simplesmente com o que estou fazendo, sem ser aquela coisa memorizada, o que normalmente ocorre nas cadenas trabalhadas – não é uma crítica à memorização de vias, eu mesma adoro escalar sabendo todos os movimentos que eu tenho que fazer.

A via era muito legal, pois tinha vários buracos, meio abaulados, mas que se você invertesse a mão, eles ficavam bons. Clássica e lindíssima via, recomendo a todos.

Foto: Glauce Ibraim

Foto: Glauce Ibraim

Foto: Glauce Ibraim.

Foto: Glauce Ibraim.

Foto: Mari Eloy.

Foto: Mari Eloy.

Foto: Bianca Castro.

Foto: Bianca Castro.

Foto: Glaice Ibraim.

Foto: Glaice Ibraim.

Bianca Castro, Glauce Ibraim e Mari Eloy na via Las Barbas del Capitain (7a fr/ 7c br), Pared Blanca, El Trebol, Bariloche, Argentina.

Bianca Castro, Glauce Ibraim e Mari Eloy na via Las Barbas del Capitain (7a fr/ 7c br), Pared Blanca, El Trebol, Bariloche, Argentina.

Em seguida, dei dois pegas na via Jack Sparrow (7a+fr/8a br). A via era bem interessante, pois começava com lances técnicos, em seguida tinha um crux em aresta, terminando a parte difícil em um diedro. Nos dois pegas eu caí no diedro, não estou acostumada com este tipo de escalada, então tive bastante dificuldade até para isolar os movs, me sentindo bastante desconfortável.

Eu abusando da minhas especialidade (calcanhar, só que não!) na via Jack Sperrow (7a+ fr/8a br), Pared Blanca, El Trebol, Bariloche, Argentina. Foto: Glauce Ibraim.

Eu abusando da minha especialidade (calcanhar, só que não!) na via Jack Sperrow (7a+ fr/8a br), Pared Blanca, El Trebol, Bariloche, Argentina. Foto: Glauce Ibraim.

Eu, Glauce e Mari com a vista privilegiada da escalada em Pared Blanca! Foto: Ezequiel Garcia.

Eu, Glauce e Mari com a vista privilegiada da escalada em Pared Blanca! Foto: Ezequiel Garcia.

Após o climb, fomos com nossos amigos locais Ezequiel Garcia e Juan Tarrio fazer o circuito em torno das montanhas de Bariloche. A paisagem em torno da cidade é realmente muito linda, vejam algumas fotos:

Foto: Bianca Castro.

Foto: Bianca Castro.

Foto: Bianca Castro.

Foto: Bianca Castro.

Foto: Bianca Castro.

Foto: Bianca Castro.

Foto: Bianca Castro.

Foto: Bianca Castro.

Foto: Ezequiel Garcia.

Foto: Ezequiel Garcia.

A Glauce deixou a Las Barbas del Capitain equipada, então o plano era voltar no dia seguinte umas 9 horas para termos uns dois pegas em nossos projetos. Entretanto, a Argentina é também conhecida por seus bons vinhos e ficamos desfrutando dos mesmo até cerca de 4 horas da manhã. Resultado: óbvio que não conseguimos ir cedo escalar.

Ao mesmo tempo, recebemos a péssima notícia de que nosso amigo, o escalador alemão que está morando aqui no Rio, Sebastian Gaus, havia sido roubado (dinheiro, passaporte, etc.) em Buenos Aires e só chegaria em Bariloche no dia 19, dia em que decidimos ir para Esquel passar a noite para pegarmos, no dia 20, o primeiro ônibus para Piedra Parada.

O último dia em Bariloche foi, portanto, uma correria, pois precisávamos voltar a Pared Blanca para resgatar as costuras da Glauce, comprar os mantimentos para o Petzl e ainda torcer para o Sebastian chegar a tempo de pegarmos o ônibus às 18h30 para Esquel.

No fim, apesar da loucura, tudo deu certo e conseguimos nós três (eu, Glauce e Sebastian, a Mari resolveu ficar em Bariloche mais uns dias fazendo turismo) pegar ô último ônibus daquele dia para Esquel. O que não deu certo foram as cadenas dos nossos projetos, que ficaram para a próxima ida à Bariloche.

Sobre Esquel, não há muito o que contar, passamos poucas horas, não dormidas, na cidade. O Sebastian e o Zé Roberto Pacheco, escalador de Brasília que conheci na viagem e já me prometou apresentar as vias de Belchior, dormiram ao lado de fora da rodoviária e eu e Glauce decidimos ficar num hostel para tomar o último banho decente da próxima semana. O legal foi que visitamos um bar com uma “hamburguesa” gigante – proporcionalmente bem maior que a batata inglesa de São Bento – e achamos um mercadinho 24 horas para comprar mais mantimentos para Piedra Parada, onde ganhamos chocolate de graça e indicações de bons vinhos!

Os relatos sobre Piedra Parada ficam para o próximo post, aguardem!