Reflexões sobre Escalada Esportiva

Arquivo para agosto, 2013

1ª Etapa do Rio Boulder Fest

Tenho estado totalmente sem tempo para escrever, por isso o blog anda um pouco mofado. Na verdade, também estava meio sem assunto, pois depois do Rockocal fiquei duas semanas sem escalar por causa de uma mega virose do cerrado e não consegui retomar os treinos e escalada em rocha como gostaria.

Bom, agora estou de volta e com boas notícias!

Neste final de semana, rolou a primeira etapa do Rio Boulder Fest, o nome dado ao Campeonato Carioca de 2013. Esta primeira etapa ocorreu no muro OnBlox, em Friburgo. Como eu tive um compromisso imperdível no sábado, subi para Friburgo apenas domingo de manhã, sorte que a competição estava marcada para começar às 11 horas e não precisei sair tão cedo do Rio. A competição era divididas em duas fases, a primeira fase foi festival e a segunda seguiu, para minha alegria, os moldes da IFSC.

No festival, eu não estava me sentindo bem, talvez cansada com a viagem de carro, mas, com certeza, sentindo a falta de ritmo de escalada. No final, me classifiquei em 4º lugar, mas pelo o que eu vi, não houve muita diferença de pontuação entre eu e a Luana Riscado, que se classificou em primeiro. Não fiquei feliz, mas sabia que cada round é um round e para ilustrar isso, trago o exemplo do que aconteceu na última etapa da Copa do Mundo de Boulder. A já campeã Anna Stöhr não conseguiu se encaixar nos boulder e fez uma qualificatória bem, mas bem mesmo, abaixo do seu normal, ficando em 10º lugar no seu grupo e se classificando em último para a semifinal. No dia seguinte, foi a primeira a escalar, foi a única a mandar todos os boulders de primeira, passou em primeiro para a final e foi campeã. É por essas e outras que ela é uma referência, não só de força, mas de confiança!

Sobrecomparando, foi mais ou menos o que aconteceu comigo e escalei a final bem melhor do que o festival. A final foi composta por três boulders masculinos e três boulders femininos, escalando um homem e uma mulher ao mesmo tempo. Fui a segunda a escalar, acompanhada do caçula da Família Buscapedra, Pedro Gomes.

O primeiro boulder tinha um crux de abaulados e para minha sorte, um deles era o abauladão da Sapo Agarras, no qual já havia feito um boulder no Evolução, mas em uma inclinação muito mais agressiva. Assim, em uma inclinação bem mais suave, ele ficou até bom. Consegui fazer o top de primeira, o que já acalmou o meu nervosismo extremo característico de competições. Impressionante como o sentimento é o mesmo em todas as competições. Dentre as meninas, só a Lulu também mandou o primeiro boulder, mas foi de segunda tentativa, após, na primeira, cair juntando na última agarra.

Pela visualização, já tinha visto que o segundo boulder era o mais fácil e que eu acreditava que não teria problemas para encadena-lo. Exatamente o que aconteceu, mandei sem problemas, assim como a Lulu e a Glauce Ibraim, quem eu tinha certeza que mandaria o segundo boulder também. Desta forma, a Glauce já havia garantido o terceiro lugar e o primeiro seria decidido entre a Lulu e eu.

O terceiro boulder era de leitura difícil e no meio da primeira tentativa escalei diferente do que eu havia planejado, mas caí por falta de confiança em uma rebotada. Na segunda tentativa, fiz o lance, pequei na agarra bônus e caí indo para a penúltima agarra (era um boulder bem longo!). Esse foi o melhor pega, no terceiro caí na rebotada novamente, bem cansada pelo pouco tempo de descanso entre o festival e a final.

A Lulu fez os movs totalmente diferentes e já no primeiro pega caiu na penúltima agarra e este foi seu melhor pega, parecia bem cansada também. Entretanto, como eu havia encadenado os dois primeiros boulders na primeira tentativa, fui a campeã desta primeira etapa! Fiquei muito feliz também com o pódio ter sido completado com a Glauce, pois treinamos juntas e sua evolução é cada vez mais evidente!

No masculino, o irmão mais velho da Família Buscapedra foi o campeão depois de atropelar o primeiro boulder e dominar a agarra bônus dos demais boulders! Legal que eu lembro de competir com o Caio há muitos anos e, nesta final, eramos os “veteranos”. Por isso, minha torcida era para ele!

Algumas fotos da primeira etapa:

Eu escalando um boulder do festival, fase qualificatória da 1ª etapa do Rio Boulder Fest. Foto:

Eu escalando um boulder do festival, fase qualificatória da 1ª etapa do Rio Boulder Fest. Foto: Rafael Stutz.

Pódio Feminino (eu, Lulu e Glauce) com o Pedrinho Soares, route setter e proprietário da OnBlox. Foto: Rafael Stutz.

Pódio Feminino (eu, Lulu e Glauce) com o Pedrinho Soares, route setter e proprietário da OnBlox. Foto: Rafael Stutz.

Eu e a amigona Glauce Ibraim, Equipe Evolução! Foto: Luana Riscado.

Eu e a amigona Glauce Ibraim, Equipe Evolução! Foto: Luana Riscado.

 

Parabenizo à organização da competição, em especial Flavia dos Anjos e Pedrinho Soares. A próxima etapa será no dia 29 de setembro, data do meu aniversário, no Centro de Escalada de Jacarepaguá, então espero ganhar de presente outro primeiro lugar! Sei que não será fácil e tenho que treinar para isso, mas o treino já está planificado e a motivação para executá-lo existe.

Para comemorar vamos no próximo final de semana para Ouro Preto! Na verdade, a viagem já estava marcada, mas contará com vários dos finalistas desta primeira etapa e quatro medalhistas, além das amigonas de Belo Horizonte. Diversão e climb garantidos, tenho certeza! Não conheço Ouro Preto, mas fiquei com muita vontade de conhecer depois de ver as fotos do Ouroboulder deste ano. Agora é retornar aos treinos e apertar nos tetos!


Rockocal

Cheguei de Brasilia segunda-feira de manhã direto para o trabalho e logo fiquei doente, por isso a demora para escrever minhas impressões para o que eu já adianto ter sido o melhor festival de boulder que eu já fui na vida! Vai ser difícil descrever o que foi o Rockocal 2013, pois mudou muito a minha visão e gosto por boulder.

Quarta à noite fui para Brasília, onde o amigo Zé Roberto Pacheco me esperava para irmos para o festival, que já estava rolando. Entretanto, devido ao tempo ruim aqui no Rio, o aeroporto de onde eu sairia fechou e meu voo que estava marcado para às 20h30 foi transferido para o outro aeroporto, o que acarretou em um atraso de 4 horas! Cheguei em Brasília depois das 2 horas da manhã e lá estava o Zé me esperando, coitado. Chegamos em Cocalzinho de Goiás por volta das 4 horas da manhã e o pessoal estava dormindo ou escalando. Fiquei no quarto, onde as coisas da Glauce Ibraim e Branca Franco estavam e capotei, pois já sabia que o dia seguinte seria de muita escalada.

Fissurada para conhecer o Cocal, nem me preocupei com o sol e fomos escalar de dia mesmo, umas 14 horas. O setor escolhido foi o Mocó, subsetor Toca da Onça, por estar na sombra. Entrei em alguns boulder clássicos, como o (ninguém mais, ninguém menos que) Miles Davis (V4), o longo Espinho (V6) e o curto Break Up (V4), todos saíram de flash. Tentei também o Break Down (V7), que é o sds do Break Up, mas sem sucesso. Mudamos de subsetor e eu entrei no estranho Mãos ao Alto (V2), além de dar uns pegas no Moai (V5) e Fax (V8). Escalamos até o início da noite, mas o plano, pelo menos o meu, era dar uma poupada para os outros dias.

Assumo que gostei do primeiro dia, mas ainda não estava encantada por Cocal, o que aconteceu no segundo dia, quando fomos, também no Mocó, ao subsetor Cinematográfico. Depois de aquecer em um V0 que eu não sei o nome, entramos no Tinhoso (V4 hard!). Acho que fomos os primeiros a chegar no setor e um tempo depois chegou o resto da galera, quando subimos mais um pouco para o bloco do Vingadores.

Esse bloco tem uns boulders bem técnicos e legais. Como não tirei fotos, apesar de ter levado a câmera todos os dias pro pico, a fissura pelo climb estava reinando, vou tentar compensar com alguns vídeos do Pedra Viva.

Mandei todos os boulders do bloco de primeira, então fui tentar o Spider Man (V7), que era logo ao lado. O boulder tem apenas um mov, um bote de duas agarras bem ruins e dois pés piores ainda para um agarrão. Depois de várias tentativas, consegui mandá-lo, fazendo um dinâmico para uma intermediária, já que sou short leg, e depois indo para o agarrão.

De cabeça feita, ainda entrei no Lembranças da Patagônia (V4), boulder lindo de aresta que eu também mandei de flash, e já estava de boa para voltar para a Rockocasa, muito feliz com mais um dia de climb e apaixonada pelo pico.

Mas sábado foi o dia que mais me impressionou. Ficamos o dia inteiro de boa na Rockocasa e só lá pra 17 horas fomos para o setor Casa da Cobra, onde já dava para ver vários carros estacionados na estrada ao lado do setor.  Aqueci nas paradas obrigatórias Bem Vindo à Casa da Cobra (V1), Aresta do Bem Vindo (V2) e Só No Calcanha (V3), indicação da Mari Eloy, e entrei com a Luana Riscado e Edu Senra no Cocuruto (V6), boulder que consiste em um domínio bem esquisito. Nós três mandamos o boulder e então fui para o bloco principal.

Fiquei impressionada, nunca tinha visto tantas pessoas escalando juntas! Por indicação da Glauce, resolvi entrar no Muy THC (V6), mas antes peguei os betas com a galera. Depois de um dinâmico no final do boulder, consegui mandar de flash e fiquei muito feliz, pois o boulder é lindo demais! Tentei sua variação para direita, um V7 que eu nunca lembro o nome, mas caí duas vezes no último mov, dinâmico de um regletinho e abaulado ruim para um agarrão. Ficou para a próxima..

Estava tão encantada com a Casa da Cobra que não queria sair de lá. Ainda mandei os boulders Ping Pong (V5), muito legal com um bote irado no final, e Superrangue (V5), boulder que começa com um domínio, passa por um teto e termina com outro domínio. Para finalizar, a ex-local Raissa Dias vez um tour apresentando outros blocos ao redor do bloco principal, tem muita coisa para escalar lá ainda, preciso de várias viagem para Cocal!

Saí do setor por volta das 23 horas com a Raissa e o Beto Ferragut, nós três comentando que seria fácil morar em Brasília tendo Cocal tão perto! Quem sabe um dia eu não troco o Rio pelo Cerrado? Só preciso conferir os picos de esportiva e então ficará muito difícil escolher entre Cocal e escalada esportiva, mas por enquanto estou mais voltada para Cocal!

Sábado à noite rolou uma mega festa com show da banda Rupestre, que rolou até umas 6 da manhã. A festa foi ótima e dava para ver que todos estavam curtindo demais, uma vibe muito boa. Só não foi boa a manhã do dia seguinte, já em clima de volta para casa. Mas antes, ainda rolou escalada no setor Eco Vila, pra mim só ficou atrás da Casa da Cobra, o setor é muito lindo, com um blocão só com boulder clássico. Mandei rápido os boulders Pra Todos (V4) e Nega Tereza (V5) e comecei a tentar o País Tropical (V7). Pela primeira vez estava sentindo a pela nas agarras iniciais do boulder. Ouvi várias vezes o pessoal reclamando que o Cocal come pele e tal, mas como estou acostumada ao granito do Rio, o quartzito de lá era de boa.

Apesar da dor, fui evoluindo no boulder, que tinha um trabalho de pé muito legal e calcanhas salvadores. Depois de cair no final, dei uma isolada e entrei novamente, com sucesso! Apensar de ter mandado outros V7s este ano, para mim esse foi o boulder mais difícil que eu já encadenei até hoje e com certeza um dos mais bonitos. Foi perfeito para terminar a trip com chave de ouro.

Voltei para Brasilia e dormi poucas horas na casa do Zé, que me deixou cedinho no aeroporto na segunda de manhã. Muito obrigada, Zé, pela parceria e logística!

Volto de Cocal gostando muito mais de escalar boulder, mas com a tristeza de Cocal fica tão longe. Parabenizo demais a organização e ano que vem estarei de volta ao Rockocal, mas espero não ter que esperar um ano para escalar novamente nesse pico incrível!

Pôr do Sol em Cocal. Foto: Peruzzo.

Lindo pôr do sol em Cocal. Foto: Peruzzo.