Reflexões sobre Escalada Esportiva

Arquivo para setembro, 2013

Terra de Canino

Como havia planejado, no fim de semana passado resolvi cumprir a minha cota anual de escalada tradicional e fui com a Flavia dos Anjos fazer a via Terra de Canino, localizada na Pedra Hime, em Jacarepaguá. A via me atraiu pelo fato de a Flavinha ter dito que não era aderência, mas possuía agarras. De fato possuía, porém no final da nossa escalada menos do que antes.

Acho que iniciamos a escalada por volta das 14 horas, quando já havia sombra na face onde a via se localiza. Guiei a primeira enfiada, que apesar de ter a graduação mais difícil, provavelmente 7a, foi de longe a mais tranquila, exceto pelo fato de eu ter colocado a minha vida em uma laquinha que em seguida percebi ser oca. Naquele momento, mal imaginava que aquele sentimento seria uma constante na via.

Primeira enfiada da via Terra de Canino, Pedra Hime, Rio de Janeiro. Foto: Flavia dos Anjos.

Primeira enfiada da via Terra de Canino, Pedra Hime, Rio de Janeiro. Foto: Flavia dos Anjos.

A Flavinha guiou a segunda enfiada, começando em artificial (A0). Participando, tentei fazer em livre e um regletinho chave estourou na minha mão, então fiz em artificial também. Logo em seguida, uma boa agarra de mão quebrou e bateu direto na minha cabeça, sorte que estava de capacete!

No final da segunda enfiada, começaram as partes mais bonitas da via: três diedros amarelos alaranjados levemente negativos, com uma movimentação linda. Incrível! Pena que não dava para confiar muito nas agarras, especialmente a partir do segundo diedro, quando acreditamos que a via seja menos frequentada.

Primeiro diedro da via Terra de Canino, Pedra Hime, Rio de Janeiro. Foto: Flavia dos Anjos.

Primeiro diedro da via Terra de Canino, Pedra Hime, Rio de Janeiro. Foto: Flavia dos Anjos.

O segundo e terceiro diedros foram guiados pela Flavinha, sendo que no terceiro havia um lance de proteção em móvel, muito bem encaixável. No fim, havia um crux de travessia para a esquerda e quando imaginei que a Flavia tinha superado, quebrou a agarra de pé e ela tomou uma vaca! Tentei me proteger, mas a agarra, que tinha cerca de um palmo, veio direto no meu ombro!

Eu e Flavia!

Eu e Flavia!

Terra de Canino - visual da via

Perrengues e emoções à parte, gostei muito de fazer essa via! Apesar de ainda precisar de uma limpeza, eu a recomendo especialmente pelos lances nos diedros, que são maravilhosos!

O acesso ao local, que antes era feito pulando um muro, agora está legalizado e pode ocorrer pela entrada da mineradora, onde a pedra se localiza. Para mais informações, acesse o site da FEMERJ.

Chegamos ao carro depois das 20 horas e eu estava completamente exausta, física e mentalmente. Além da fome de um dia inteiro com pouquíssima comida, por despreparo e negligência própria. Não tinha forças nem para pensar na escalada do dia seguinte, mas como o programado era ir à Barrinha, fique pela Zona Oeste mesmo e domingo estava eu lá, na que entendo ser a melhor falésia do Rio de Janeiro.

Além disso, eu estava animada para tentar a via Intrusos do Sul (9c). No primeiro pega, acho que fui bem apesar de ter caído mega errado ao tentar o bote do primeiro crux e não ter conseguido isolar o crux final, que tem dois regletinhos mínimos. No segundo pega, furei meu dedo em um dos microregletes da via, acho que logo antes do bote. Uma pena, pois escalei o resto da via parando praticamente a cada costura já que não estava utilizando o indicador direito.

Entretanto, gostei demais da via e a estabeleci como meu novo projeto na Barrinha! Estou querendo voltar lá sábado, quem anima?


Ouro Preto

Esta semana tem sido bem corrida, por isso a demora para contar um pouco de como foi a trip para Ouro Preto (MG). A correria é por algumas coisas boas, outras nem tanto.

Estou de volta e motivada aos treinos! Comecei a correr (vou tentar manter uma rotina de duas vezes por semana) e hoje irei para o terceiro dia de treino no muro da semana!

Com relação a umas lesões que rondam meu corpo, resolvi consultar o Dr. Antonio Pedro, conhecido no mundo da escalada como Doli, e fui diagnosticada com tenossinovite em três dedos e epicondilite no cotovelo esquerdo. Por causa das dores, já sabia que as coisas não estavam certas. Conversamos e não precisarei parar de escacalar por agora (e espero que não precise at all!), pois tenho mais duas etapas do Rio Boulder Fest para participar, além de viagens, como o Cocalcinhas, evento de escalada feminina que ocorrerá no dia 21/9 em Cocal!Diagnosticada, já comecei as sessões de fisioterapia e gelo, o que contribuiu para a minha falta de tempo esta semana.

Mas vamos à viagem para Ouro Preto. Depois de muita discussão, saímos eu, Camilo Jacob, Caio e Pedro Gomes e Luana Riscado. Chegamos em nosso destino por volta das 4 da manhã, mas isso não afetou a animação para a escalada de sábado. Em Ouro Preto, encontramos com a também a Glauce Ibraim, que já estava em terras mineiras, e com Branca Franco, Fernanda Viterbo, Carine Veiga e Edu Senra.

Flores do Cerrado!

Flores do Cerrado! Foto: Pedro Gomes.

Foto: Pedro Gomes.

Sábado fiz um volume durante o dia, encadenando os boulders Sauna Seca (V4), SÚmida (V4), um V3 muito clássico que eu não sei o nome e o lindo Sidharta (V5/6), que, para a minha felicidade, saiu de flash! Confiram do Foca no Climb, com a Camilla Porto mandando esse boulder:

Descansei à tarde e quando a notie chegou, eu, Lulu e Edu fomos malhar o Mesanino (V9). Lindo boulder e bem duro, cada mov era uma crux!

Domingo, me dediquei a estabelecer projetos, depois de mandar o Bola 7 (V4). Entrei no Pico da Neblina (V7), Doce de Lei SDS (V6) e Lagartixa (V7).

Trabalhando o boulder Lagartixa (V7), Ouro Preto, Minas Gerais. Foto: Camilo Jacob.

Trabalhando o boulder Lagartixa (V7), Ouro Preto, Minas Gerais. Foto: Camilo Jacob.

A expectativa era grande e o local a atendeu perfeitamente! Tetos e mais tetos, com regletes e muito calcanhar. A trip foi incrível, especialmente por causa das companhias, que eram as melhores possíveis, passando a vibe tradicional dessa galera!

Galera vibe morrr!

Galera vibe morrr!

Pensando no final de semana, acho que desta vez a previsão do tempo acertou e teremos sol no Rio. Os planos são escalar com a Flávia dos Anjos a via multi pitch Terra de Canino (7º grau), no bairro de Jacarepaguá, e domingo retornar à Barrinha para sofrer com a minha falta de resista. Mas é só passar o Cocalcinhas que meu foco volta às vias longas!