Reflexões sobre Escalada Esportiva

Arquivo para abril, 2014

Totem | Serra do Cipó | Migalhas Indecentes

O último mês foi bastante agitado e cheio de escalada!

Logo no início, fui, finalmente, conhecer o Totem, no Pão de Açúcar, Rio de Janeiro. Já tinha combinado de a Naná Brasil me levar lá e a nós se juntaram Nina Felinto, Matteo Maffizzoli, Arthur Estevez e Luciano Willadino.

Escalamos, portanto, em três cordadas e iniciamos pela Sicuete (7c). Guiei esta cordada, mas não tinha a menor ideia do grau, até que, ao fim, a Naná me disse que era um 7c. Fiquei feliz pela graduação, pois assumo que passei um perrenguinho por ser uma via técnica e tive que parar uma vez.

Do fim da Sicuete, para acessar a via As Lacas Também Amam (7c), clássica mor do Totem, fizemos uma enviada por um 5º grau, onde poderia se optar por seguir por agarras não muito sólidas ou por agarras sólidas, entretanto um caminho bem exposto, onde não é nada bom cair. Optei pela onda da exposição com solidez e curti bastante!

Lacas é uma via de esportiva no meio do Pão de Açúcar, bem protegida, mas há muitos metros de altura do chão. Apesar de sempre ter ouvido sobre a falta de solidez das agarras, consegui bloquear esse fator e simplesmente escalei como se estivesse escalado uma via esportiva em um pico de esportiva qualquer. A via saiu de primeira e eu fiquei bem feliz, pois é realmente muito boa e com uma movimentação bem legal!

Depois da escalada, fomos todos beber umas cervejas e comemorar “o melhor dia do mês”, segundo a Nina! Abaixo algumas fotos tiradas no celular dela.

Dando segurança para o Matteo, com equipos maravilhosos - mochila Deuter e capacete CAMP! Foto: Nina Felinto.

Dando segurança para o Matteo, com equipos maravilhosos – mochila Deuter e capacete CAMP! Foto: Nina Felinto.

Galera na P3! Foto: Nina Felinto.

Galera na P3! Foto: Nina Felinto.

As Lacas Também Amam (7c), Pão de Açúcar, Rio de Janeiro. Foto: Nina Felinto.

As Lacas Também Amam (7c), Pão de Açúcar, Rio de Janeiro. Foto: Nina Felinto.

 

No feriado de abril, fui com o Matteo para a Serra do Cipó, ele não conhecia e curtiu bastante (óbvio)! Cheguei em BH na véspera do feriado à noite e me pegaram no aeroporto a Aninha Borges, Gabriel “Gabira” Vargas e Fernandinha Viterbo. Assumo que quatro dias apenas para escalar no Cipó é muito pouco, então não projetei nenhuma via mais hard e foquei em conhecer setores que eu ainda não tinha escalado, como o Vale Zen e o PCC. Destaco a cadena das vias Opinião Pública (8b), que pude encadenar de flash graças aos betas do Gabiras, Flash Black (7a), via linda que escalei à noite, e PCC (9a), via que dá nome ao setor, com um crux hard no começo e uma movimentação muito bonita.

Matteo na via Fogueteiro (7a), PCC, Serra do Cipó, Minas Gerais. Foto: Alessandro Imbellone.

Matteo na via Fogueteiro (7a), PCC, Serra do Cipó, Minas Gerais. Foto: Alessandro Imbellone.

Fazendo força no início da via PCC (9a), PCC, Serra do Cipó, Minas Gerais. Foto: Lucas Castor.

Fazendo força no início da via PCC (9a), PCC, Serra do Cipó, Minas Gerais. Foto: Lucas Castor.

Mesmo sendo feriado no Rio na última quarta, tive que voltar, pois precisei trabalhar na terça. Entretanto, não fiquei nada triste, pois o plano era ir para a Floresta da Tijuca, entrar novamente na via Migalhas Indecentes (9c), depois de ter caído (desistido por medinho) faltando apenas um movimento para a cadena. Tenho que explicar, a distância da penúltima para a última costura é enorme, pois na verdade a via foi estendida até o final da Coquetel de Energia (10c). Poderia muito bem ser batido um grampo, mas acho que um dos charmes da via é esse esticão. Além disso, o último movimento é uma cruzada bem longa, o que justifica o medinho. Na quarta, consegui chegar novamente no último mov e dessa vez arrisquei, mas sem sucesso. Por isso, estava ansiosa para chegar o final de semana e eu poder tentar de novo a via.

Sábado de manhã eu estava me sentindo confiante e o grip do Campo Escola 2000 estava com certeza o melhor do ano. Lá estava um frio que para mim transcende o agradável para escalar e as agarras babadas foram substituídas pela falta de sensibilidade dos dedos por causa do frio. Depois de cair duas vezes na juntada da “mesa” por causa da falta de sensibilidade nos dedos, pensei que teria que me acostumar com isso, pois a temporada finalmente estava chegando e o frio na Floresta só iria piorar.

No terceiro pega do dia, consegui passar da mesa novamente e apesar da dor nos dedos mentalizei que ia ser daquele jeito mesmo. No último mov, resolvi blocar bem em vez de tentar a cruzada no dinâmico e em dois tempos consegui segurar na agarra final! Pensei que só faltava eu cair na última costurada, mas estava me sentindo bem e consegui clipar sem problemas! Cadena da querida Migalhas, via que eu almejo tem tantos anos (quase dez) e que eu finalmente tinha conseguido encadenar. A alegria tomou conta de mim como quase nunca aconteceu com outra cadena, acho que porque essa linha eu visualizo desde pequena, sempre ouvi ser muito dura (constatei isso também com a necessidade de dar inúmeros pegas) e sua variação de movimentação é maravilhosa!

Preciso agradecer aos que estavam na Floresta no sábadoe passaram a vibe, aos que estavam presentes nas demais investidas na via , aos que torceram por mim e às marcas que me apoiam:  Camp, Cassin, Deuter, Edelweiss, Evolução, Five Ten, Sapo Agarras e Verticale!

Finalizando a transição para a Migalhas. Foto: Guilherme Ferraz - Sport Session.

Pendulada muito legal na transição para a Migalhas. Foto: Guilherme Ferraz – Sport Session.

Foto: Guilherme Ferraz - Sport Session.

Fim do 9a. Foto: Guilherme Ferraz – Sport Session.

Início da travessia para o fim da Coquetel. Foto: Guilherme Ferraz - Sport Session.

Início da travessia para o fim da Coquetel. Foto: Guilherme Ferraz – Sport Session.

Chegada na "mesa", que para mim é o mov mais difícil da via. Foto: Guilherme Ferraz - Sport Session.

Chegada na “mesa”, que para mim é o mov mais difícil da via – minha cara não me deixa mentir. Foto: Guilherme Ferraz – Sport Session.

Já fui questionada sobre o próximo projeto, mas ainda não tenho nada determinado na minha cabeça. Só sei que quero voltar à Barrinha, pois esse ano, quando estava no Rio, praticamente só escalei na Floresta. Mas antes de escolher outro projeto, mais um feriado cujo destino será novamente a Serra do Cipó!