Reflexões sobre Escalada Esportiva

Arquivo para junho, 2015

Barra Pesada / Rio Boulder Festival

Com o teórico início da temporada, que infelizmente durou apenas dois finais de semana, eu animei em tentar novamente a via Barra Pesada (10a), localizada na Barrinha. Tinha entrado nela uma vez tem um tempo, mas no verão, o que tornava bem mais difícil travar em dois regletes cristais e dar o bote para o abaulado, início do primeiro crux. Com temperaturas mais amenas e por eu ter mandado rápido a via Intrusos do Sul (9c), resolvi focar na Barra Pesada.

Início da Barra Pesada (10a), Barrinha, Rio de Janeiro. Foto: Filipe Silva.

Início da Barra Pesada (10a), Barrinha, Rio de Janeiro. Foto: Filipe Silva.

No primeiro dia, achei a via bem dura, especialmente porque tive que fazer o final do primeiro crux diferente do beta tradicional, já que era uma rebotata muito esticada. Então, em vez de rebotar, cruzei. O mov ficou duro, mas factível para mim e acho que bem mais legal também! Se neste primeiro crux levei desvantagem, no final da via, para fugir novamente de um mov esticado, achei uma agarrinha que deixou bem mais seguro o último movimento da via, que já ouvi ter derrubado muita gente!

Eu dando o meu jeito para conseguir passar pelo primeiro crux. Foto: Filipe Silva.

Eu dando o meu jeito para conseguir passar pelo primeiro crux. Foto: Filipe Silva.

No segundo final de semana trabalhando no projeto, quando ainda estava friozinho aqui no Rio, caí bem no final, infelizmente por não saber de um beta que realmente facilitou, passando com solidez tanto pelo primeiro quanto pelo segundo crux da via (uma sequência de regletinhos).

Segundo crux. Foto: Filipe Silva.

Segundo crux. Foto: Filipe Silva.

Fiquei bastante esperançosa e não via a hora de voltar à Barrinha, mas foi corpus christi e eu já tinha passagem comprada para BH. O feriado foi incrível e eu adorei escalar na Bocaina!

De volta ao Rio, ainda fiquei doente durante a semana, mas felizmente sábado estava eu lá de novo na Barrinha. Entretanto, havia chovido na sexta e a rocha estava bem babada! A escalada para mim foi uma tragédia, caí duas vezes no início do primeiro crux (bote para o abaulado), mas o Pedro Cyrino, parceiro nesse projeto, caiu bem no final da via, tentando o beta novo!

Bote para o maldito abaulado! Foto: Filipe Silva.

Bote para o maldito abaulado! Foto: Filipe Silva.

Resolvi ir contra o entendimento do meu corpo de que ir dos dias seguidos na Barrinha não rende e domingo eu estava de volta com o Filipe Silva. A rocha estava bem mais seca, apesar do calor e eu consegui ficar no abaulado! Fui administrando o resto da via, aproveitando os descanso, até chegar no movimento com o beta novo, que eu não havia testado. Resolvi arriscar, mesmo estando na cadena e deu tudo certo!

Acho que mandei a via bem sólida e chegou a hora de tentar a via Vaca Louca (10b), que inclusive foi a primeira via com esta graduação escalada por uma escaladora brasileira, pela Lu Di Franco no início do ano passado (eu fui a segunda com a cadena da Lágrimas de Sangue (10b), também na Barrinha, meses depois).

Mas não é só de via que vivem os cariocas! Daqui a dois finais de semana, de 26 a 28 de junho, vai ocorrer o Rio Boulder Festival, primeiro festival de boulder em rocha realizado na cidade do Rio de Janeiro, neste primeiro ano na tradicional Urca. Inscrições aqui!

Rio Boulder

Eu já me inscrevi e garanti o kit premium, com camisa, chinelo e escovinha Zen! A inscrição também garante a participação no sorteio de vários equipamentos, gentilmente fornecidos pelos patrocinadores e apoiadores do evento, dentre os quais estão marcas que me apoiam – CAMP, Deuter, Edelweiss, Evolução e Five Ten Brasil! Tenho certeza que o evento será incrível e convido a todos a participar!


Bocaina Incrível!

Já tinha tempo que eu ouvia falar (super bem) da Serra da Bocaina. Sempre que eu ia ao Cipó, o Alexandre Fei dizia que eu tinha que conhecer o pico, amigas como Glauce Ibraim e Branca Franco falavam que a Bocaina era incrível. Então, neste último feriado, finalmente fui conhecer.

A Serra da Bocaina fica perto da cidade de Araxá (MG) e possui uma rocha linda (quartzito xistoso)! Fui em um grupo com ótimos amigos e a viagem já por isso seria ótima.

Caminho Bocaina

A caminho da falésia! Foto: Nina Felinto.

Saí de BH na quinta de manhã, junto com Nina Felinto, Luana Riscado e Edu Senra, para percorrer 400km até Araxá. Chegamos no Refúgio Bocaina por volta das 16h, que estava lotadíssimo, e ainda rolou uma escaladinha! Entrei na via Decadentes (7a), no setor Paulista, onde encontramos o resto do grupo: Glauce Ibraim, Gio Sales e Flavia dos Anjos.

Sexta-feira amanheceu bem ensolarada, mas mesmo assim fomos ao setor Terceiro Andar, o qual eu achei bem legal. O sol estava realmente castigando, mas mesmo assim o enfrentei e dei dois pegas cedo na via Grande Hotel (9a). Entretanto, sofri bastante e me escondi na sombra até o fim do dia, quando dei mais uma entrada na via e a cadena saiu! Fquei bem feliz, pois a via é linda e resumida em um crux em seu meio, o qual consegui solucionar com um beta próprio.

Enquanto eu fugia do sol, Glauce mandou a Do Próprio Veneno (7c) à vista, via localizada numa aresta que me pareceu bem estranha. Mas não foi a única cadena, a Lulu mandou em flash e o Gio e a Flavinha mandaram trabalhado!

Como estávamos acampados, era difícil dormir até tarde, então subimos novamente no sábado cedo pro pico, mas pelo menos estava nublado! Fui com o Edu direto para o setor Mezanino, que possui uma rocha maravilhosa, com tons de rosa. Entramos na via Bafo de Onça (9a), que possui dois crux: o primeiro é um dinâmico longo de dois regletes para uma agarra razoável e o segundo é mais de força em agarras de oposição.

A Bafo é uma via muito clássica e eu queria muito a cadena. Entrei duas vezes no sábado e deixamos equipadas para tentarmos no dia seguinte. No fim do dia, consegui ainda mandar de flash a Pubianos (8a), via de regletes mais técnica que foi boa para variar.

Via Pubianos (8a). Foto: Glauce Ibraim.

Via Pubianos (8a), Paulistas, Serra da Bocaina (MG). Foto: Glauce Ibraim.

Domingo subi com o Edu antes do pessoal, pois ele, Lulu e Nina iriam voltar cedo de carro, já que a viagem de volta era bem longa. Edu tinha um pega na Bafo e infelizmente a cadena não saiu. O sol estava castigando novamente! No meu primeiro pega do dia, caí no fim do segundo crux e fiquei bem esperançosa. Resolvi tentá-la de novo só quando o sol saísse, por volta das 15h e, na sombra, consegui a cadena, que foi um FFA (first female ascent).

Panorâmica da Bafo de Onça (9a). Foto: Glauce Ibraim.

Panorâmica da Bafo de Onça (9a), Mezanino, Serra da Bocaina (MG). Foto: Glauce Ibraim.

FFA!

FFA da Bafo de Onça, Mezanino, Serra da Bocaina (MG). Foto: Glauce Ibraim.

Falando em FFA, fazer FFAs tem me motivado bastante. A Bafo de Onça não possui uma graduação tão alta (hoje várias meninas escalam 9a), mas tem movimentos bem duros. Então, acho bem legal fazer FFAs, pois demonstra que determinada via difícil pode também ser escalada por mulheres, comprova que estamos evoluindo!

Concluindo, achei a Bocaina realmente incrível e a trip foi maravilhosa! Voltei domingo pra BH com a Grazi Vieira, que eu agradeço enormemente pela carona, com a vontade de escalar lá novamente muito em breve e, especialmente, levar o Matteo para conhecer. Rock Bocaina é em outubro, recomendo a todos conhecer o pico!